Fianna Irish Music

MOLLY MALONE — a encantadora peixeira que virou o hino não-oficial de Dublin

Estátua de bronze de Molly Malone com seu carrinho, em Dublin
A estátua de Molly Malone, em Dublin. Foto: Satdeep Gill, CC BY-SA 4.0.

☘️ A encantadora MOLLY MALONE!

Se existe uma canção que é porta de entrada para a música irlandesa, é essa. Antes de saber o que é um reel, antes de saber onde fica Galway, todo mundo já cantou alive, alive-o em algum lugar.

Mas quase ninguém sabe a história — e ela é bem mais interessante (e bem mais triste) do que a melodia deixa transparecer.

A canção

Molly Malone, também conhecida como COCKLES AND MUSSELS, conta a história de uma jovem vendedora de frutos do mar que empurrava seu carrinho pelas ruas de DUBLIN, oferecendo berbigões e mexilhões. Ela apanha uma febre, morre jovem — e seu fantasma continua empurrando o carrinho pelas mesmas ruas.

É isso. Três estrofes, um refrão, e uma das melodias mais grudentas já escritas.

O que impressiona é o contraste: a melodia é doce, quase de canção de ninar, e a letra é sobre uma menina pobre que morre de doença e volta como assombração. Essa é a assinatura do cancioneiro irlandês — contar o horror com a voz mais bonita possível.

Molly existiu de verdade?

Aqui começa a parte divertida.

Não há nenhuma evidência histórica de que Molly Malone tenha existido. Nenhum registro, nenhuma certidão, nenhum documento. Ao longo dos anos apareceram várias candidatas em registros paroquiais de Dublin, todas apoiadas em coincidências de nome — e nenhuma delas resiste a um exame sério.

A canção como a conhecemos aparece impressa pela primeira vez na década de 1880, atribuída ao escocês James Yorkston, publicada em Edimburgo. O estilo é claramente o do music hall vitoriano da época, não o de uma balada tradicional antiga.

Ou seja: é provável que Molly seja uma invenção do século XIX — não uma personagem histórica.

E daí? Absolutamente nada. Dublin adotou Molly como se ela fosse uma cidadã real, e nisso ela virou algo mais verdadeiro que um registro de cartório: virou o retrato coletivo de milhares de mulheres que de fato empurraram carrinhos pelas ruas de Dublin, que de fato venderam peixe da madrugada ao anoitecer, e que de fato morreram jovens de febre numa cidade sem saneamento.

Molly não existiu. Mas existiram todas elas. E a canção é delas.

A estátua

Dublin levou isso tão a sério que em 1988, no milênio da cidade, ergueu uma estátua de bronze de Molly Malone com seu carrinho. Ela ficou por muito tempo no pé da Grafton Street e hoje está na Suffolk Street, a poucos passos dali.

É um dos pontos mais fotografados da Irlanda, e os dublinenses — que têm um talento especial pra apelidos irreverentes — a batizaram com uma coleção de rimas que a gente prefere não traduzir aqui. 😄

Se você for a Dublin, ela está lá. Com o carrinho, os berbigões e os mexilhões.

Por que a Fianna toca Molly Malone em quase todo show

Porque funciona sempre.

É a canção que a gente usa pra abrir a porta. Tem gente na plateia que nunca ouviu música irlandesa na vida, e aí a melodia começa e a pessoa percebe que já conhece, sem saber de onde. Aí ela canta o refrão junto. Aí ela já está dentro.

E quando a gente conta, antes de tocar, que a música é sobre uma menina que morreu de febre e que talvez nunca tenha existido — o refrão na volta seguinte sai diferente. Mais forte. Sempre.

SLÁINTE, Molly. 🍻

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Molly Malone, num dos reels da Fianna. Siga @fianna.irish.music pra ver mais.


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Veja também: Rebel Songs · Drinking Songs · Todas as canções


Perguntas frequentes

Molly Malone existiu de verdade?

Não há nenhuma evidência histórica de sua existência. A canção aparece impressa pela primeira vez na década de 1880 e provavelmente é uma criação do music hall vitoriano.

O que significa "cockles and mussels"?

Berbigões e mexilhões — os frutos do mar que Molly vendia no carrinho pelas ruas de Dublin.

Onde fica a estátua de Molly Malone?

Na Suffolk Street, no centro de Dublin, perto da Grafton Street, onde ficava originalmente.