Fianna Irish Music

IRLANDA: a ilha pequena que o mundo inteiro carrega no peito

Existe um jeito acadêmico de contar a história da Irlanda, cheio de datas e tratados. E existe o jeito da FIANNA: contar a Irlanda através das canções que ela produziu, porque cada grande virada dessa ilha deixou uma música pra trás.

É esse o passeio que a gente propõe aqui.

A ilha

A Irlanda fica no extremo oeste da Europa, banhada pelo Atlântico Norte. São cerca de 84 mil km² — menos que o estado de Pernambuco — divididos politicamente entre a República da Irlanda (26 condados, capital Dublin, independente) e a Irlanda do Norte (6 condados, capital Belfast, parte do Reino Unido).

Chamam de Ilha Esmeralda por um motivo bem prosaico: chove o ano inteiro e o verde não descansa nunca.

Os nomes que aparecem nas canções valem a pena conhecer:

Uma linha do tempo com trilha sonora

Antes do ano 400 — a Irlanda celta. Reinos, clãs, druidas, leis próprias e uma tradição oral gigantesca. É daqui que vem a mitologia dos FIANNA — os bandos de guerreiros-caçadores liderados por Fionn mac Cumhaill, que dão nome à nossa banda. (Sim, é daí. 😉 Conheça a história dos Fianna.)

Século V — a chegada do cristianismo. A figura de São Patrício e a conversão da ilha. A Irlanda vira um dos centros de preservação do conhecimento escrito da Europa — os monges copiaram e guardaram o que o continente perdeu. Dessa época vem o ST. PATRICK'S DAY.

Séculos VIII a XI — os vikings. Fundaram Dublin, Waterford, Limerick e Cork. Sim: as principais cidades irlandesas foram fundadas por nórdicos.

A partir de 1169 — a chegada dos normandos e o começo da presença inglesa. É o início de mais de sete séculos de domínio que definiriam tudo o que veio depois.

1580 — a Batalha de Glenmalure. Os clãs irlandeses liderados por Fiach McHugh O'Byrne destroçam uma força inglesa nas montanhas de Wicklow. Vira a canção Follow Me Up to Carlow.

Séculos XVII e XVIII — as Leis Penais. Restrições brutais à população católica: terra, educação, cargos públicos, religião e língua. Nesse período também se proíbe a destilação caseira, criando o mercado clandestino do poitín que vive nas drinking songs.

1845–1852 — A GRANDE FOME (An Gorta Mór). A praga da batata destrói a base alimentar de milhões de pessoas enquanto alimento continuava sendo exportado da ilha. Cerca de um milhão de mortos e um milhão de emigrantes. A população da Irlanda nunca mais voltou ao que era antes de 1845 — e isso não é força de expressão, é demografia.

É aqui que a música irlandesa se espalha pelo mundo, levada nos navios para os Estados Unidos, Canadá, Austrália e Argentina. Toda diáspora canta.

1916 — O LEVANTE DA PÁSCOA. Na segunda-feira de Páscoa, um grupo de rebeldes toma prédios em Dublin e proclama a República. O levante é esmagado em uma semana e seus líderes fuzilados — e é justamente a execução deles que vira a opinião pública. Vira The Foggy Dew, uma das maiores rebel songs já escritas.

1919–1921 — A Guerra de Independência. É o período dos BLACK AND TANS, a força paramilitar britânica cuja brutalidade ficou marcada na memória popular. Vira Come Out Ye Black and Tans.

1922 — O Estado Livre Irlandês, seguido de uma guerra civil dolorosa. 1949 — a República. 1973 — entrada na Comunidade Europeia.

1968–1998 — Os Troubles, o conflito na Irlanda do Norte, encerrado com o Acordo da Sexta-Feira Santa.

Anos 1990/2000 — o Tigre Celta, a virada econômica que transformou a Irlanda de país de emigração em país de imigração pela primeira vez na história moderna.

O que fica disso tudo

Uma ilha pequena, invadida, faminta, esvaziada — que respondeu produzindo quatro prêmios Nobel de Literatura, um cancioneiro que o mundo inteiro canta, e uma diáspora de dezenas de milhões de pessoas que ainda se declaram irlandesas em três continentes.

Não é força de expressão dizer que a Irlanda exportou cultura em vez de exército. Foi literalmente isso que aconteceu.

E é por isso que a gente toca isso. Cada vez que uma sala em São Paulo canta o refrão de uma canção escrita há cem anos do outro lado do Atlântico, alguma coisa daquela ilha continua viva. ☘️

SLÁINTE! 🍻


🎶 Quer ouvir essa história cantada? Veja onde a FIANNA toca.


Perguntas frequentes

Irlanda e Irlanda do Norte são o mesmo país?

Não. A República da Irlanda é um país independente com 26 condados; a Irlanda do Norte tem 6 condados e faz parte do Reino Unido. Estão na mesma ilha.

Que língua se fala na Irlanda?

Inglês no dia a dia e irlandês (gaélico irlandês) como primeira língua oficial, ensinado nas escolas e falado no cotidiano das regiões Gaeltacht, na costa oeste.

Por que a Irlanda é chamada de Ilha Esmeralda?

Pelo verde permanente da paisagem, resultado do clima oceânico chuvoso e ameno o ano inteiro.