Uma das mais viscerais REBEL SONGS do cancioneiro irlandês!
Tem música que a gente toca. E tem música que a gente atravessa. The Foggy Dew é da segunda categoria — e dá pra sentir isso na sala: quando o fiddle entra naquela melodia modal, o salão inteiro fica em silêncio antes mesmo da primeira palavra.
O que aconteceu em 1916
Na segunda-feira de Páscoa de 24 de abril de 1916, com a Europa inteira ocupada com a Primeira Guerra Mundial, cerca de mil e quinhentos rebeldes irlandeses tomaram prédios estratégicos no centro de DUBLIN. Dos degraus dos Correios Centrais — o GPO, na O'Connell Street — foi lida a Proclamação da República Irlandesa.
O levante durou seis dias.
O exército britânico respondeu com artilharia pesada dentro da própria cidade, incluindo o bombardeio a partir do rio Liffey. O centro de Dublin foi reduzido a escombros. Os rebeldes se renderam no sábado seguinte.
E aí veio a parte que mudou a história: nas semanas seguintes, os líderes do levante foram fuzilados, um a um, na prisão de Kilmainham. Entre eles, um homem tão ferido que precisou ser amarrado a uma cadeira para ser executado.
A população de Dublin, que no começo tinha recebido os rebeldes com irritação — afinal, era a cidade deles que estava sendo destruída — virou completamente. Os executados viraram mártires. Em menos de três anos, a Irlanda estava em guerra de independência.
O levante fracassou militarmente e venceu politicamente. É uma das viradas mais impressionantes do século XX.
A canção
The Foggy Dew foi escrita logo depois dos acontecimentos por CANON CHARLES O'NEILL, um padre do Condado de Down, e usa uma melodia tradicional irlandesa já existente — o que era, e ainda é, a forma mais eficiente de fazer uma canção pegar rápido.
O que torna essa letra devastadora não é a descrição da batalha. É o argumento que ela faz.
O autor coloca lado a lado duas coisas: de um lado, os milhares de irlandeses que estavam naquele exato momento morrendo em campos de batalha estrangeiros da Primeira Guerra — em lugares como SUVLA e SUD EL BAR, na campanha de Gallipoli, servindo ao exército britânico. Do outro, o punhado de homens que morreu em Dublin, em casa, pela Irlanda.
E a canção pergunta, em essência: se era pra morrer, por que não morrer aqui?
É uma das construções mais poderosas de todo o cancioneiro de resistência mundial — e explica por que, mais de cem anos depois, The Foggy Dew continua parando salas do outro lado do planeta.
O que é o "foggy dew"
A expressão — "o orvalho enevoado" — já existia em baladas irlandesas muito anteriores, com outros sentidos. Aqui ela funciona como imagem: a névoa que desce sobre o vale, o véu que cobre os mortos, o tempo que passa por cima de tudo. Não é uma metáfora com tradução única, e é justamente essa abertura que a torna eterna.
Por que isso ressoa tanto no Brasil
Como um dos nossos comentou uma vez: a Irlanda, como tantos países que sofreram com o imperialismo, mostra que a liberdade é um bem até mais valioso que a própria vida.
Não precisa ser irlandês pra entender isso. Basta ter nascido em um país que já foi colônia.
É por isso que a gente sempre conta essa história antes de tocar. Porque quando o refrão sobe, a sala não está cantando sobre Dublin em 1916. Está cantando sobre uma ideia que atravessa fronteira.
SLÁINTE! 🍻
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Perguntas frequentes
Sobre o que é a música The Foggy Dew?
Sobre o Levante da Páscoa de 1916, em Dublin, e sobre o contraste entre os irlandeses que morreram lutando pela Irlanda em casa e os que morreram servindo ao exército britânico em frentes estrangeiras da Primeira Guerra.
Quem escreveu The Foggy Dew?
A letra é atribuída a Canon Charles O'Neill, padre do Condado de Down, escrita pouco depois do levante. A melodia é tradicional irlandesa.
O que foi o Levante da Páscoa?
Uma insurreição armada ocorrida em Dublin em abril de 1916, na qual rebeldes proclamaram a República Irlandesa. Foi derrotada em seis dias, mas a execução de seus líderes mudou a opinião pública e acelerou o caminho para a independência.