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THE LEAVING OF LIVERPOOL — a despedida que atravessou o oceano

Pintura de 1846 de um veleiro em frente ao Albert Dock, em Liverpool
O brigue Elizabeth Taylor em frente ao Albert Dock, Liverpool — pintura de Joseph Heard, 1846 (domínio público).

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Tem canção de pub pra fazer rir. E tem canção de pub pra fazer todo mundo abraçar quem está do lado. The Leaving of Liverpool é das que fazem as duas coisas ao mesmo tempo.

O porto da partida

No século XIX, LIVERPOOL, na Inglaterra, era a grande porta de saída para as Américas. Era de lá que partiam os navios para Nova York, para a Austrália e para a Califórnia — e era por lá que passava uma multidão de emigrantes irlandeses, especialmente nos anos terríveis da Grande Fome.

Atravessava-se o Mar da Irlanda até Liverpool e, dali, embarcava-se para uma viagem longa, cara e perigosa, quase sempre sem passagem de volta. Para muita gente, o cais de Liverpool foi o último pedaço da Europa que viram na vida.

A canção

The Leaving of Liverpool é uma canção tradicional de marinheiro. Um homem está de partida para a CALIFÓRNIA, lamenta deixar para trás quem ama e promete voltar. Só isso. E é por isso que funciona: é a despedida de todo mundo que já teve que ir embora.

A história de como ela chegou até nós é curiosa. Ela quase se perdeu. Só foi registrada duas vezes, pelo pesquisador norte-americano WILLIAM MAIN DOERFLINGER, que gravou velhos marinheiros em Nova York entre o fim dos anos 1930 e o começo dos 1940. Um deles, RICHARD MAITLAND, contou que tinha aprendido a canção com um rapaz de Liverpool por volta de 1885.

E aqui tem um detalhe bonito: nas duas gravações, ela aparece de jeitos diferentes. Numa, como forebitter — a canção que os marinheiros cantavam nas horas de folga, pra passar o tempo. Na outra, como shanty de cabrestante — o canto de trabalho que dava ritmo à força bruta de puxar a âncora. A mesma saudade servia pra descansar e pra trabalhar.

Do navio para o pub

A canção voltou à vida no folk revival dos anos 1960. E quem a transformou num clássico irlandês foram THE CLANCY BROTHERS AND TOMMY MAKEM, cuja gravação chegou ao 6º lugar das paradas irlandesas em 1964. Depois vieram THE DUBLINERS, THE POGUES e praticamente toda banda de música irlandesa que já subiu num palco.

Uma canção de marinheiro, registrada em Nova York, sobre um porto inglês — e que virou patrimônio irlandês. Poucas histórias explicam tão bem o que é a diáspora.

No show da Fianna

É a canção que a gente toca quando a noite pede um refrão pra cantar abraçado. Todo mundo conhece alguém que foi embora — um avô que veio de navio, um amigo que mora longe, um filho que foi estudar fora. Quando o refrão sobe, cada um está se despedindo de alguém.

SLÁINTE! 🍻

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The Leaving of Liverpool, num dos reels da Fianna. Siga @fianna.irish.music pra ver mais.


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Perguntas frequentes

Quem escreveu The Leaving of Liverpool?

É uma canção tradicional, de autor desconhecido. Foi registrada pelo pesquisador William Main Doerflinger a partir do canto de velhos marinheiros, e um deles disse tê-la aprendido por volta de 1885.

The Leaving of Liverpool é uma sea shanty?

Ela foi registrada das duas formas: como forebitter, a canção cantada pelos marinheiros nas horas de folga, e como shanty de cabrestante, canto de trabalho.

Por que Liverpool?

No século XIX, Liverpool era o principal porto de partida de emigrantes da Irlanda e da Grã-Bretanha rumo às Américas.